Seca Já Afeta Produtividade do Algodão no MT

 

Um veranico que começou em abril nas principais regiões produtoras de algodão
de Mato Grosso pode afetar a safra da pluma no Estado. Ainda não se sabe a
extensão das perdas, segundo a Associação dos Produtores de Algodão do
Estado (Ampa). Mas a entidade dá como certa que elas vão recair sobre a segunda
safra, que é plantada mais tardiamente a partir de janeiro, depois da colheita da soja.

 
O problema, diz Décio Tocantins, diretor-executivo da Ampa, é que a segunda safra
representa uma boa parcela da área plantada total da pluma em Mato Grosso, em
torno de 45%. Entre as regiões mais atingidas, afirma ele, estão a faixa da BR-163
que abrange o município de Lucas do Rio Verde e Sorriso e as regiões de Primavera
do Leste, Pedra Preta e Alto Garças, além de Sapezal.

 
O Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), ligado à Federação da
Agricultura do Estado de Mato Grosso (Famato), também não tem sua estimativa
de perdas, apesar de reconhecer que elas ocorrerão, diz Maria Amélia Tirloni, gestora
do instituto. "A segunda safra já foi prejudicada, sim, mas ainda é muito precipitado
afirmar de quanto será o prejuízo. Apesar de a meteorologia não estar prevendo nada,
uma chuva até o fim de maio pode acontecer e mudar o cenário", diz Maria Amélia.

 
No ano passado, conta Tocantins, as chuvas cessaram em março, mais de um mês
antes do previsto pelos produtores. Por isso, a quebra de produção foi da ordem de 20%,
segundo levantamento da Ampa. "Ainda não atingimos o quadro do ano passado, pois
choveu um pouco em abril, mas infelizmente não estamos muito distante", diz o executivo.

 
O produtor Clóvis Cortezia, de Lucas do Rio Verde, começou no dia 18 de maio a
colher sua área precoce de 500 hectares de algodão cultivada na primeira quinzena
de dezembro no lugar da soja - cujo plantio foi prejudicado por falta de chuva.
Essa área, conta ele, teve produtividade alta, de 280 arrobas por hectare, mas
ele prevê que a sua área de algodão cultivada após esse período terá perdas de aproximadamente 10%.

 
"Vai depender muito de fazenda para fazenda, pois as chuvas foram irregulares.
Na média da região de Lucas do Rio Verde, acredito que o número será entre 10% e 15%",
diz o produtor, que foi um dos primeiros a começar a colher algodão no Estado neste ano.

 
Maior produtor nacional da pluma, Mato Grosso semeou nesta temporada uma
área total de 708 mil hectares de algodão, o que representou um aumento
de 64% em relação aos 428,1 mil hectares cultivados na temporada anterior.

 
O Brasil deve ter uma safra recorde nesta temporada 2010/11, segundo a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Devem ser produzidas 2,027
 milhões de toneladas da pluma, 69,8% a mais do que o total registrado no ciclo 2009/10.